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Reconstrua a jogada e pense...


Galera,
Estamos de volta, sorry mas meu micro entrou em parafuso e estava usando o Notebook para twittar ...

Agora que retornamos, trago um artigo muito interessante para você pensar...e recontistuir sua mão antes da ação:


Você já imaginou no que alguém está pensando exatamente quando ela aparentemente demora uma eternidade para tomar uma decisão durante a mão? Ainda que alguns de nós profissionais gostaríamos que você acreditasse que estamos simplesmente "vasculhando suas almas", o que nós realmente estamos fazendo é extremamente simples e básico, ainda que isso seja um pouco contra-intuitivo se comparado com o que usualmente se pensa sobre poker.

Antes de fazer uma análise de cima a baixo, quando estamos cuidando de decisões em alguma mão de poker é muito proveitoso que se pense de trás para a frente. O que eu quero dizer com isso é, que se você estiver diante de uma decisão difícil, você precisa reconstruir a mão e sua ação do início até o momento da sua decisão de modo a utilizar cada ação tomada para restringir as possíveis mãos dos seu oponente. Com um pouco de experiência e algum raciocínio, é bem assombroso o quanto você pode ficar bom na leitura de mãos se conseguir simplesmente adotar essa forma de raciocínio.

Esse processo mental não é apenas importante para se tentar descobrir o que o seu oponente pode ter mas, se estiver jogando contra um oponente pensante, pode utilizar tal processo na sua própria mão para determinar se um blefe poderá funcionar.
Tal análise se aplica a todas as formas de poker mas irei me valer de 2 exemplos de "cash-game" para ilustrar minha linha de raciocínio. Na primeira mão de um jogo $5/10 No-limit Hold´em cash-game no Pokerstars, eu tenho QJ no botão. Um jogador em "middle-position aumenta para $30, eu pago e os dois blinds largam. Acabei de me sentar na mesa e não tenho qualquer leitura desse oponente.

O flop traz KcJc7h.

O vilão nesta mão aposta $45 e eu apenas pago para tentar utilizar da minha posição no turn para obter mais informação do meu oponente e conseguir tomar melhores decisões nas próximas rodadas de aposta.

O turn traz apenas um inocente 3d. O vilão pede mesa e eu também. O river traz um 5s.
O bordo é Kc Jc 7h 3d 5s e meu adversário repentinamente aposta $200? Ao invés de confiar nos meus instintos ou tentar descobrir exatamente o que tal aposta quer dizer naquele momento, eu começo do início, rodada por rodada, para tentar descobrir a gama de mãos do vilão.

Antes do flop o vilão aumentou em "middle position". Isso não nos diz muito mas, como não foi de uma "early position", não devemos dar crédito para uma mão forte e, como não foi de "late position", não devemos colocá-lo em situação de roubo. Nesse momento pode-se colocá-lo numa mão média a forte.
No flop, nosso oponente fez uma "continuation bet" padrão, o que não quer dizer necessariamente nada. Ele pode ter acertado ou pode ter apostado para tentar levar o pot ali mesmo. Eu poderia ter aumentado aqui mas o bordo possuía tantos draws que eu acreditei ser melhor pagar e ver qual seria sua reação no turn e então reavaliar a situação.
Conseguimos uma informação importante no turn. Quando o vilão pede mesa, é muito difícil colocá-lo em qualquer mão forte. Com duas cartas para sequência máxima e duas cartas de paus, qualquer um com uma mão grande faria uma bela aposta aqui para proteger sua mão dos draws. Quando ele pede mesa acho que podemos restringir sua gama de mãos. Ele pode ter um draw, algo como Q-10, 10-9, 9-8, ou AQ, ou qualquer draw para flush de paus. Ele também pode ter uma mão fraca com A-J, A-7, T-J, um K fraco, ou até mesmo a mesma mão que eu, Q-J.

Então, quando o river traz uma carta que não preenche quaisquer dos draws do bordo e ele aposta $200, eu reconstruo a ação de todas as rodadas anteriores na minha cabeça, assim como fiz no parágrafo anterior, percebo que, das mãos que eu listei, estarei na frente contra a grande maioria delas e pago a aposta. O vilão mostra Ac Tc para uma queda para gaveta que não foi completada.
O resultado dessa mão não é o que importa mas o processo mental que levou à decisão. Se meu oponente tivesse mostrado Kc 10s, o call não teria sido menos correto.

Dessa forma, quando você estiver envolvido na mão, você deve analisar o que acontece, primeiramente dando ao seu oponente uma gama de mãos e, depois, tentar reduzir essa gama de mãos com base nas ações do adversário. Então, se você se encontrar perante uma decisão difícil- especialmente no river, quando é o último a agir - gaste seu tempo e tente reconstruir a mão desde o seu início.

Para o segundo exemplo vou mostrar como utilizei este método de raciocínio contra um jogador sólido para construir um blefe bem sucedido. Nessa mão eu tenho 8c 7d no botão num jogo $5/10 No-limit Hold´em cash-game no Pokerstars. Um jogador sólido e conservador entra de limp em middle position ao pagar $ 10, e eu aumento para $ 50 a fim de representar que tenho uma mão forte e tentar ganhar o pote antes mesmo do flop e, caso contrário, ganhá-lo após o flop.

O flop traz Ks Ts 4d. O vilão pede mesa, eu faço uma aposta(continuation bet) de $70 e ele paga. Nesse momento, eu percebo que estou provavelmente batido. Tal bordo pode ter favorecido muitas das prováveis mãos do meu oponente e eu não tenho qualquer mão e nem sequer um draw.

O turn traz um 4c e o vilão pede mesa. Eu peço mesa também, essencialmente desistindo da mão na maioria das vezes. Minha ação preflop poderia indicar muita força para esse jogador conservador e quando ele paga minha aposta no flop eu realmente acredito que ele possui uma mão razoavelmente forte.

Quando vem o river, entretanto, traz uma Qs. O vilão aposta $50. Contra um oponente criativo eu poderia pensar numa armadilha mas, contra esse adversário que joga de maneira conservadora eu realmente acredito que ele realizou uma "blocking bet" por medo de sofrer um blefe. A Qs completaria muitos draws no bordo e, ao apostar no flop e pedir mesa no turn, percebi que poderia ter representado um draw ao aceitar a carta grátis, e meu aumento preflop poderia fazer o vilão pensar que eu teria quaisquer dessas muitas mãos de draw.

Aumentei para $ 225 e, após pensar um pouco, o vilão passou e me perguntou se eu poderia bater KQ.
Ao reconstruir essas duas mãos, desde o seu início até o final, no river, eu pude ganhar dos potes que eu não poderia ter vencido se eu tivesse pensado apenas na ação do meu oponente no river.

Uma palavra de precaução aqui é que essa metodologia não se dá bem contra oponentes que não são capazes de pensar nas mãos de uma maneira lógica. Tentar essa espécie de move numa mesa 25₵-50₵ vai lhe trazer problemas com freqüência pois seu adversário não pensa bem o suficiente para alcançar o que você estará representando; eles apenas sabem que têm 2 pares, então eles pagarão.

Da próxima vez em que você estiver numa mesa e se encontrar perante uma decisão difícil, tente reconstruir a mão desde o começo até o final. Você poderá se surpreender com o quanto poderá aplicar bem tal conceito e também com quanto mais de dinheiro poderá fazer


Eric "Rizen" Lynch

O Pagador


O pagador do Poker é o jogador que acredita sempre.


O que fazer com estes malas que não largam mão alguma e que por vezes se tornam extremamente impertinentes até chatos sortudos e nos fazem escrever no twitter que pooker é sorte...?

Quando você joga com AQs e sai um Flop tipo Qj3, você faz uma aposta e o calling station do seu lado da call, no Turn ou River aparece um 3 , você continua a atirar e ele da raise... não é um impulso, não é bluff... o mala tinha o 3. Pare de xingar a figura no chat e de uma ajustada no jogo...

Este jogador pode passar despercebido em mesas com muita ação mas torna-se extremamente importante identifica-lo, em especial se ele estiver à sua esquerda caso contrário irá dar mais trabalho e vai bater com + frequência o teu top-pair ou over-pair com dois pares ou outras mãos mais horriveis como runner runner straight ou flush. É ainda totalmente NÃO recomendado fazer apostas com overcards (tipo Ak ou AQ) pois o jogador vai acompanhar com quase toda a certeza sendo bastante provável que nos acabe por bater, quer porque já tenha feito algo no flop - ainda que medíocre - quer porque tenha vindo a conseguir algo entre o turn e river. O bluff puro e duro também não funciona até porque este jogador passa 99% do tempo a pensar na sua mão e 1% do tempo a pensar na eventual mão dos restantes jogadores da mesa. Nada o assusta...

Este jogador vai acompanhar praticamente com qualquer coisa seguindo esta psicologia: se ele tem algo, estará sempre à espera de melhorar para dois pares ou trinca; se não ele tem nada mas está com cartas decentes (por exemplo AJ) ficará até ao river à espera de acertar numa das suas cartas e na esperança dessa mão ser suficiente para nos bater. Estar batido ou estar em franca desvantagem são preocupações demasiadas que não costumam aflorar o seu espírito atento e concentrado em não perder uma oportunidade que seja de ganhar uma mão.

Tenho certeza que este tipo de jogador é capaz de passar mal a noite inteira se tiver foldado uma mão em que teria feito dois pares ou trinca no turn ou no river. Mas o mesmo individuo não ficará minimamente perturbado se perder 3 dezenas de mãos de forma estúpida e patética à espera de melhorar uma mão medíocre.


Os calling stations não querem perder oportunidades de ganhar mãos. O objetivo é ganhar o máximo de mãos possível. Convém esclarecer que este é um objetivo francamente mal direcionado e não deve ser a nossa prioridade.
Este jogador pode tornar-se extremamente incomodo. Uma das formas de lidar com ele é, sempre que possível realizar um raise à frente dele tornando mais provável que ele faça Fold. Evitar bluffs e mesmo apostas na rodada final com mãos pouco potentes (incluindo com frequência dois pares em situação debilitada, batíveis por outros dois pares melhores, por uma trinca, por um straight ou por um flush).


Se o jogador for do estilo que realizar uma aposta no final da rodada sem apostas podemos pontualmente realizar um check-raise com uma mão potente ou ainda se pretendem realizar o semi-bluff com overcards. Um dos efeitos possível é o de o levar a foldar (pouco provável, admitamos), outro é de obterem uma free-card estando fora de posição (provavelmente mais útil com este fim e a aplicar se pretendem jogar as vossas overcards até ao fim num heads-up com ele, eventualmente). Mas como disse é uma jogada a realizar apenas pontualmente ou perderá a sua força e eficácia.

Ainda na linha do fancy-playing, outra possível jogada é o duplo check-raise (realizado quer no Flop quer no Turn) mas que se justifica apenas com mãos mais potentes ou quando começaram com um semi-bluff e vimos a mão melhorar no turn, se nos parece que o jogador pode apostar no Turn. O outro jogador pode realizar o bet em duas ou três circunstâncias: se tenta aproveitar todas as oportunidades; se o board se tornou perigoso e aquele interpreta o nosso check com receio pela mesa (o caso mais habitual é o de 3 cartas suited na mesa, você com Flush e a tentar simular medo do Flush); ou ainda se ele interpretou o nosso check-raise como um bluff no Flop (não sabendo ele que se tratava de um semi-bluff e acabamos de melhorar a mão).

Estas abordagens têm como objetivo fazê-lo pagar caro pelos seus erros , extraindo o mais possível das mãos que nos parece estarem em vantagem mas também minimizando o que colocam na mesa quando a nossa mão, ainda que forte no pré-flop, se tornou bastante frágil e batível até por um par de cartas medíocres.

E se há jogador que joga cartas medíocres até ao fim... esse jogador é o Calling Station ou "pagador".


Pense um pouco tambem nos seus pagamentos teimosos durante uma mão, perseguindo flops em busca da carta salvadora, será que não nos fazemos de Paadores em varios momentos? pense nisso e corrija!

Abs.

Inteligência Emocional


POR JONH VORHAUS

À primeira vista, inteligência emocional pode parecer um paradoxo, como caos organizado ou memória esquecível. Afinal, inteligência diz respeito ao intelecto, e emoção, ao instinto.


Mas para ser um jogador de sucesso, você deve ser capaz de usar seu intelecto para monitorar seu instinto. Inteligência emocional, portanto, é a consciência de sua consciência. Um jogador de poker com alta inteligência emocional é capaz de reconhecer suas forças e fraquezas de forma franca e honesta, com aceitação, e sem entrar em desespero (inteligência emocional também se estende à sua “consciência do outro”: em outras palavras, leituras – mas essa é uma discussão para outra hora).


Para lhe ajudar a testar sua inteligência emocional, apresentarei algumas situações de poker, e farei duas perguntas:

Isso já aconteceu com você?

Como você se sentiu na hora?


Não há medidores para esse questionário, nenhuma folha de respostas, nem notas. Para passar no teste, tudo que você tem que fazer é responder – mas responder de verdade. Pense muito se essas situações já se aplicaram a você. Se não, parabéns.


Mas se estou apontando algo que você já fez uma ou duas vezes (ou mais), peço-lhe para utilizar isso como uma oportunidade para aprofundar a consciência de sua consciência. Faça isso sem julgamentos e sem culpa, porque o primeiro passo para consertamos nossos erros é aceitá-los. Pergunte a Andy Black.


Situação Um: Você está jogando poker online há algumas horas em um MTT, e as coisas não estão indo muito bem. Você fez mais rebuys do que gostaria, e nunca conseguiu construir um grande stack. Não conseguindo deslanchar no torneio, você finalmente foi eliminado – não por uma bad beat, mas por uma má decisão. Agora está tarde, e você está mentalmente exausto. Você sabe que não está jogando o melhor que consegue, mas ainda pode sentir o amargo da derrota, então corre para um sit-and-go ou um cash game e começa a dobrar ou triplicar suas perdas.


Situação Dois: Você está em um cash game e está indo bem. O baralho está sendo extremamente generoso e você está em um ótimo momento. Você se sente ótimo, como se fosse invencível. Não só quer que o sentimento dure para sempre, como está convencido de que vai durar. Como um jogador de golfe que finalmente encontrou a forma perfeita de dar a tacada, você acredita que você “solucionou” o poker. Então empurra com qualquer pequena vantagem que tiver – ou às vezes nenhuma – e acaba perdendo a maior parte do que ganhou.


Situação Três: Você está jogando contra um oponente que sabe ser mais fraco. Ele toma decisões claramente ruins, e você não sabe por que não está levando todo o seu dinheiro – mas não está. Sortudo como é, ele continua jogando de forma horrível e ganhando pote atrás de pote. Quanto mais você joga contra ele, mais nervoso fica, até que sua motivação primordial para jogar deixa de ser ganhar dinheiro, mas fazer o maldito sortudo pagar caro.


Situação Quatro: Você está em um jogo de poker e não consegue sair do lugar. Está mais do que tiltado, mas não dá conta de sair da mesa. Parece ter alguma força sobrenatural (alguns chamam de cola de cadeira) mantendo-o em seu assento. Mais cedo, você achou que iria jogar só até melhorar, mas passou desse ponto agora. Você não vai parar até que esteja quebrado.


Situação Cinco: Você não ia jogar poker. Tinha outras coisas para fazer em casa, no computador ou no mundo, mas algo lhe empurrou para o jogo. Talvez você tenha considerado a escolha entre jogar poker e fazer outra coisa, ou talvez seus pensamentos não tenham chegado tão longe. De qualquer forma, aqui está você, jogando poker, como se isso fosse a única coisa que quisesse fazer na vida.


Alguma dessas situações já aconteceu com você?

Como você se sentiu na hora?


Lembre-se, eu realmente quero que você pense a respeito desses momentos, articule-os para si mesmo, talvez até que escreva uma frase descrevendo-os. E quando terminar de fazer isso, pense sobre situações que eu não descrevi. Pense sobre qualquer momento em que você explodiu em um jogo de poker, ou ficou tempo demais, ou jogou errado sabendo que estava jogando errado.


Veja se consegue identificar o porquê. Andy Black disse que dedica quatro horas por dia acertando sua mente. O mínimo que nós podemos fazer é investir alguns momentos de consideração, creio eu.Veja bem, não estou querendo dizer que nos falta controle em geral. Na maior parte do tempo, começamos quando queremos começar, paramos quando queremos parar, e jogamos como queremos jogar. Mas a maior parte do tempo não é o bastante.


Poker de sucesso requer disciplina, e disciplina começa e termina com consciência. Quanto melhor você se conhecer, e mais puder pensar em si mesmo com franqueza e honestidade, melhor será seu jogo, absolutamente.


A boa notícia é que inteligência emocional é algo que você pode praticar e dominar, como qualquer outro aspecto de seu jogo.Seja quem você é. Não há nada de errado com isso. Divirta-se com seu poker. Tenha paixão por ele, ainda. Quando estiver se sentindo feliz, vá em frente e seja feliz. Quando estiver para baixo, vá em frente e fique pra baixo. Mas em todas as ocasiões, e todo o tempo, tente observar o que está sentindo.


Não se castigue por suas emoções, mas as reconheça, e limite o impacto negativo que elas têm em suas escolhas.


O verdadeiro jogo de poker é jogado no nível de sentimentos. Se cultivar sua inteligência emocional, suas habilidades de poker (e de vida) e lucros tomarão conta de si mesmos.




Respostas para torneios


As pessoas fazem freqüentemente perguntas muito específica sobre como ser um jogador de vencedor de torneios:

Quantas fichas eu deveria ter após os primeiros dois níveis?

Eu deveria jogar muitas mãos cedo enquanto os blinds forem pequenos e então ficar mais tight quando os blinds aumentarem?

Eu pareço sempre terminar na bolha. Eu deveria tentar jogar mais tight na bolha ou acumular mais fichas antes de chegar lá?

Surpreendentemente, todas as três perguntas têm a mesma resposta:

Deixe de tentar forçar coisas a acontecer. Apenas concentre-se em jogar um pôquer sólido e deixe as fichas caírem onde elas devem.

Na realidade, isso é a melhor resposta para quase qualquer pergunta de torneio específica. Aqui temos uma pergunta mais útil:
O quão diferente é uma estratégia de ring game se comparada com uma estratégia de torneio?
A resposta: Não tanto quanto pensa você.

Antes de você se preocupar sobre ajustar seu jogo para torneios, concentre-se em ajustar seu jogo para os outros jogadores. A habilidade mais importante em pôquer é a habilidade para reagir a uma gama extensiva de oponentes que jogam uma gama extensiva de estilos. Jogadores que podem fazer isto prosperarão em jogos ring e torneios de maneira semelhante.

Muitos dos enganos de torneio que te custam muitas fichas são resultado de jogadores que passam do limite ao tentar ajustar o jogo. Olhemos novamente para estas perguntas:
Quantas fichas eu deveria ter depois dos primeiros dois níveis?
A resposta curta é: quantas você puder.

Jogue seu baralho. Jogue seus oponentes. Não tente forçar ação simplesmente porque você pensa que você “precisa” ter certo número de fichas para ter chance de ganhar. Você deveria estar pensando em acumular mais fichas, enquanto tenta conservar as que você já tem. Quanto mais fichas você acumular, melhor suas chances de ganhar e vice-versa.

Se esqueça de alcançar algum número mágico. Não existe um número de fichas específico que te livre da derrota e muito menos que te assegure uma vitória ou boa colocação. Uma ficha e uma cadeira são bastante para ganhar e bastante para bater. Se fixar em um número específico é um modo bom para assegurar o fracasso.

Próxima pergunta:
Eu deveria jogar muitas mãos cedo enquanto os blinds forem pequenos e então ficar mais tight quando os blinds aumentarem?

Seu jogo não deveria mudar muito enquanto progride o torneio. Engrene seu jogo para tirar vantagem de seus oponentes, independente da fase em que o torneio se encontrar. A maioria dos jogadores está muito solto nas fases iniciais de um torneio. Em lugar de se tornar um destes jogadores, ajuste-se para o jogo deles/delas:
Tente roubar blinds com mais frequência do que pagar raises e re-aumente mais vezes.
Igualmente, quando os oponentes ficarem mais tight, você deveria roubar mais freqüentemente e se inclinar para se envolver em mais potes. Novamente, esta deveria ser uma reação ao modo que seus oponentes estão jogando, não uma ação baseado em qualquer fase particular do torneio.

Última pergunta: Eu pareço sempre terminar na bolha. Eu deveria tentar jogar mais tight na bolha ou acumular mais fichas antes de chegar lá?

Normalmente as pessoas que fazem esta pergunta já estão apertando o cinto bem antes de alcançar o dinheiro. Não só isto é incorreto como também é o modo mais seguro para terminar na bolha ou perto dela. Apenas jogue agressivamente o seu melhor pôquer, tentando não deixar sua pilha de fichas chegar ao ponto de não poder mais proteger as suas mãos. Se você não fizer isso, seus oponentes estarão adquirindo as pot-odds certas para chamar, até mesmo com mãos fracas.


Olhe para as oportunidades para fazer um movimento antes de você deixar isto acontecer.

Autor: Chris Ferguson

Jogando o pós flop - analise 2 de 3


Dando continuidade no artigo que dividimos em 3, nessa segunda parte falaremos de quando o FLOP não melhorou a sua mão.
Já falamos das mãos iniciais e de como ficar longe de encrencas, já falamos sobre fazer aumentos ao invés de entrar de limp e os benefícios que podemos colher com essas jogadas, agora gostaria de debater com você o próximo passo no torneio.

Você escolheu bem a mão inicial, entrou com belo Raise e ...foi chamado por 2 jogadores...

E Agora ???

Calma, é assim mesmo, afinal você veio jogar poker, portanto tem que querer um pouco de embate, a ação que vem agora é o que chamamos de pós flop.
Se você escolheu uma mão realmente jogavel, fez um aumento sólido e foi chamado, provavelmente nos encontraremos nas seguintes situações:

1 - O Flop melhorou nossa mão.
2- O Flop não melhorou nossa mão, mas também não fez muitos estragos.
3- O Flop foi catastrófico.


De forma bem simples, podemos dizer que o flop Decide sua mão.

Na situação 2 e 3, normalmente a analise principal é a textura do flop, essa textura é quem ditará os nossos movimentos.

Quando falamos de textura do flop queremos dizer a conectividade das 3 cartas abertas na mesa contra a gama de mãos que nosso adversário poderá estar segurando, porque analisar a textura?


Bom, se já verificamos que o flop não melhorou nossa mão, devemos analisar o que o flop fez pelo nosso adversário e assim definir o nosso movimento, uma vez que somos o agressor na mão. A ação e reação dos nossos adversários poderá nos ajudar a puxar o pote ou mesmo perder o mínimo possível na mão:

- Temos FLOPS secos e
- Temos FLOPS conectados.

Em nossa analise nessa segunda parte, o FLOP que nos interessa e que se adapta a nossa analise é o primeiro, FLOPS secos, com esse tipo de flop temos maiores chances de ainda estar segurando a melhor mão e normalmente uma c-bet (aposta padrão pós flop) pode nos garantir o pote.

É considerado um Flop seco quando as cartas abertas na mesa não são:


Cartas do mesmo naipe (possíveis Flush)
Cartas conectadas (possíveis seqüência )
Cartas altas.

Veja alguns pontos abaixo:
Imagine um flop contendo As,Td,3h , podemos dizer que ele tem uma textura melhor do que 7h,5d,2s .

Isto é devido ao fator da textura do flop – o número de cartas altas. No poker, as mãos típicas que vêem o flops são mãos com cartas de 10 ou maiores.

Porque é que o número de cartas do mesmo naipe importa?
O flop tem uma textura melhor com duas ou três cartas do mesmo naipe, uma vez que torna possível os flush draws. Um flop que tenha cartas de três naipes diferentes tem normalmente uma textura ruim, e é chamado de rainbow flop.

Porque é que a conectividade (connectores) das cartas importa?
Quanto mais perto estiverem as cartas, mais straight draws existirão. Normalmente, os jogadores jogam mais as cartas que estão juntas, por isso um flop com conectividade tenderá a produzir uma mão forte, tal como um par e straight draw ou mesmo dois pares.

Portanto ao vermos um flop seco, teremos mais propensão em fazer uma C-bet (Continuation bet), pois enfrentando uma c-bet nessas condições é muito provável que o seu opositor não tenha acertado no flop e largue mão aqui mesmo.

Por isso faça uma continuation bet quando o flop tiver uma textura fraca e não o faça quando tiver uma boa textura. Se fizer uma continuation bet num flop com Qs7h,2s , existem poucas mãos com que o seu opositor poderá fazer call.

Bluffing
Outra hipótese é fazer um bluff puro. Nos flops com texturas fracas, um bluff logo no início é provável de ser suficiente para levar o pot. Por exemplo, fizemos call a um raise na BB com KQs , e o flop veio Jh,7s,2d . Se fizer logo uma aposta, o seu os ponente não deverá fazer call devido ao fato do flop ter uma textura ruim.


Se suspeitar que o seu oponente fará uma continuation bet, podemos tentar um check-raise. Imaginemos que temos ATs num flop com Qh,8s,3d e você de check, Se o seu oponente apostar, um check-raise poderá contra atacar uma vez que a textura do flop torna mais provável que o seu opositor não tenha uma boa mão. Isso ja trata-se de uma jogada um pouco mais ousada e deve ser evitada por iniciantes, no nosso texto patiremos do principio que ao fazer um aumento o nosso oponente e nós não acertamos nada no flop, daremos fold, devemos deixar a mão e encerrar as perdas aqui.

No próximo falaremos de flops conectados e seus efeitos.
Inte +
AA

Jogando o pós-flop – analise 1 de 3


Da series de artigos para o site Eclipse ...


Já falamos das mãos iniciais e de como ficar longe de encrencas, já falamos sobre fazer aumentos ao invés de entrar de limp e os benefícios que podemos colher com essas jogadas, agora gostaria de debater com você o próximo passo no torneio.

Você escolheu bem a mão inicial, entrou com belo Raise e ...foi chamado por 2 jogadores...
E Agora ???

Calma, é assim mesmo, afinal você veio jogar poker, portanto tem que querer um pouco de embate, a ação que vem agora é o que chamamos de pós flop.

Se você escolheu uma mão realmente jogavel, fez um aumento sólido e foi chamado, provavelmente nos encontraremos nas seguintes situações:

1 - O Flop melhorou nossa mão.
2- O Flop não melhorou nossa mão, mas também não fez muitos estragos.
3- O Flop foi catastrófico.

De forma bem simples, podemos dizer que o flop Decide sua mão.

Com isso em mente vou dividir esse artigo em 3 analises a saber :


1 - O Flop melhorou nossa mão.

Na situação 1, estaremos pensando em como colocar mais dinheiro no pote e engordá-lo, mas antes, eu gostaria de apresentar duas visões:


A) O flop te deu um monstro.
B) O flop consolidou sua mão.

Essa distinção é para os novatos não atolarem a vaca inteira no brejo, só porque aumentaram com AK e bateu seu As no flop, não quer dizer que você esta soberano e que deverá colocar todas as fichas no pote, não é isso! Você deve observar sempre a textura do FLOP, textura quer dizer o que o seu adversário poderá montar com as cartas do flop, vamos aos exemplos:

Você com AK de copas aumenta, dois jogadores pagam. O flop vem :

As (espadas) , Qs (espadas) , 8s (espadas)

Essa situação não é uma maravilha para você, apesar do seu belo par e kick alto, o flop é bastante traiçoeiro, pois o seu adversário poderá ter chamado o seu aumento com:
AQ, 88, XX (espadas) sendo XX duas cartas altas (KJ, KT, TJ,9T,9J e até um KQ sendo o K de espadas ou mesmo um AK onde o K é de espadas) podendo fechar uma seqüência e essas são mãos típicas de chamadas, pois pares maiores que JJ+ fariam um re-aumento antes do flop.


Portanto você não é soberano, você tem uma mão forte e deverá jogar com a força necessária, mas não é pra quebrar com um flop desse.

Diferente se você aumentou com AK de copas e o flop veio:

As (Espadas) , Qh( Copas), Th (Copas).

Novamente temos apenas um par de As, mas diferente da situação anterior, com múltiplas formas de melhorar nossa mão, portanto aqui vamos nos atolar um pouco mais, pois qualquer copas no dará um FLUSH NUT, um Valete nos dará uma seqüência, outro as nos dará uma trinca, etc.

Ou um flop melhor ainda :

Qh (Copas), 7h (Copas), 3h(Copas)

Aqui com certeza temos que imaginar formas de atrair o nosso adversário e colocar mais ficha no pote, torcendo para que agora ele tenha feito uma trinca ou tenha um AQ ou quem sabe até mesmo duas de copas menores.

Para esses casos e somente para esses, tenha o seguinte pensamento:
Quando o Flop lhe der uma grande mão, dê a seus oponentes uma oportunidade de fazer a segunda melhor mão, mas evite a quinta carta, que poderá mudar o jogo e eles virem a ganhar.
No próximo artigo falarei de situações onde o flop não melhorou nossa mão, mas também não deve ter melhorado a mão do nosso adversário e de flops que não acertamos nada.

Até +

Aumente ao invés de entrar de limp.

Ainda na serie de artigos escritos para o site Eclipse, temos um pequeno texto, mas que pode ser de grande valia:

Quantas vezes vemos uma mão que resolvemos jogar e por motivos diversos não nos sentimos fortes suficientes para dar um Raise.
Aqui temos dois problemas:
1- Representamos nossa falta de força, coragem, quase gritando que estamos fracos.
2- Não tomamos iniciativa e não colhemos informações, portanto não sabemos onde estamos ou
para onde vamos...
O Poker é um jogo de informações incompletas, mas temos que montar o quebra Cabeça e a forma de colher informação é provocando os adversários.
Outro dado interessante: em 90% das vezes que isso ocorre, ou seja, você tem uma mão que decide jogar, mas entra de limp, e o nosso adversário aumenta, você paga.
Bom aqui esta o pulo do gato, se você estava propenso a jogar, estava propenso a pagar um aumento, vamos a luta! AUMENTE você mesmo, aumentando com sua mão você toma a iniciativa, toma o controle, obtêm informações e o melhor, pode decidir a mão agora mesmo, pois seus adversários podem dar FOLD.
Outro ponto não menos importante, mas um pouco mais subjetivo é que ao aumentar com essas mãos, você estará mesclando seu jogo, ficando mais difícil de seus adversários terem uma leitura obvia de seus movimentos.
Não abuse, mas exercite essa ação, escolha uma situação favorável, quando você esta muito bem em fichas no torneio e deparando com a situação de querer entrar de LIMP na mão, faça seu aumento padrão de 3bb e veja o que ocorre, lembre-se de saber largar, mas tente essa jogada, você poderá se surpreender e descobrir no poker detalhes interessantes...

A escolha das mãos iniciais

Abaixo uma serie de artigos curtos que escrevi para o site mineiro Eclipse e gostaria de compartilhar com os leitores do blog:

A escolha de mãos é sem dúvida nenhuma a maior armadilha para o iniciante e muitas vezes também para os veteranos, que por darem vários folds em mãos ruins durante um torneio, acabam por esse motivo valorizando mãos dominadas e perigosas.

Receber um AA, KK, QQ, AK é uma mão que se quer jogar de preferência aumentando o pote pré-flop. Porem não necessariamente precisamos quebrar no inicio do torneio por ter saído com essas mãos, mas em via de regra é uma mão forte e queremos jogar pré-flop.


Ainda nessa linha de raciocínio, um JJ, TT e AQ acaba sendo também uma mão jogavel, porem com muito mais cautela e até dependendo da posição e ação que a mão recebeu, podemos pensar em largar ...aqui podemos chama-las de mãos intermediarias...

Agora as mãos problemáticas: KQ , KJ , QJ, veja o que ocorre, o iniciante vê duas figuras e já começa a vislumbrar que tem uma grande mão e que poderá fazer estragos. O que quero ressaltar aqui e será fundamentado na Matemática, é que ao entrar com essas mãos, você corre um grande risco de estar dominado, e isso acontecendo temos um grande risco de perder todas as nossas fichas caso o flop traiçoeiramente te ajude...

Veja:
Nosso iniciante recebeu um belo KQ no meio da mesa e resolve dar um raise de 3bb.
O botton da call.
Analise puramente matemática: se o Botton esta com um solido AQ nesse ponto estamos dominados... o AQ é 75% favorito na mão.

Para termos uma idéia, se segurássemos 78s teriam uma chance muito melhor seriam 35% de chance, nessa nossa SOLIDA mão KQ temos apenas 25%.
AQ x KQ = 75% x 25%
AQ x 78s = 65% x 35%

Agora imagine essa situação com um lindo flop : Q, 7, 3 ...

Se o nosso adversário estiver segurando o AQ vamos nos machucar muito.

Portanto cuidado ao jogar essas mãos problemáticas, não deixe o pote subir muito e vendo muita ação, não tenha receio em largar e esperar outra oportunidade.

Teorema do Baluga

Este é mais um teorema do período de 2006.

Normalmente a leitura do teorema de Baluga indica uma possivel trinca...

Mas esse texto muito bem escrito, mostra a real do teorema...
Pare e analise...


“BalugaWhale”escreveu esse teorema que pode lhe ajudar com uma situação comum no turn.

Em pensamentos gerais, o teorema diz:

“Voce deve fortemente reavaliar a força das suas mãos com um par quando enfrenta um aumento no turn”

Aqui está um exemplo aonde o Baluga normalmente entra em jogo para ajudar a explicar o que esse teorema significa.
Exemplo do teorema do Baluga
Sua mão: AsKd
Você é o primeiro a agir antes do flop e com sua mão você decide fazer um aumento de 4BB. Há apenas um jogador que pagou a aposta nas últimas posições e ambos vêem o flop.
O flop: Ah9c3d
Esse é um flop muito bom para você, então você sai apostando 8BB, o que parece ser ok pelo tamanho do pote
O turn: 7c

O 7c é uma carta bastante inofensiva, mas ela dá a possibilidade de seqüência e de flush, então uma aposta forte de ¾ do pote para que qualquer queda receba os odds errados para pagar. O problema : nosso oponente aumenta a nossa aposta e a ação volta para nós.

Isso mostra que ele acertou a mão no turn e nos deixa em uma situação difícil.
Durante toda a mão nós nunca consideramos o fato de que nosso adversário estivesse ganhando da gente, então nós queremos extrair o máximo com o nosso maior par.
De acordo com o teorema do Baluga, nós deveríamos reconsiderar a força de nossos pares devido a esse aumento no turn, e nós deveríamos optar por desistir na maioria dessas situações.

Por que o teorema do Baluga é efetivo?
É fácil de ver como o teorema é efetivo simplesmente lhe fazendo essa pergunta:
Poderia o nosso oponente nos fazer esse aumento com algo que fosse menos que o maior par?
A resposta simples é não. Qualquer aumento no turn irá significar uma força significativa, e um maior par fraco ou algo pior não irá querer certificar-se da força desse tipo de jogada. Eu estou certo de que você pode sentir o quanto essa situação é incômoda onde você não sabe o que fazer isso e você está com o maior par e o melhor kicker, mas todos nós sabemos que desistir aqui na maioria das vezes será a melhor opção.

Um dos maiores problemas é que nós estamos fora de posição o que significa que a informação que nós temos do nosso oponente é limitada. Você pode tentar e se convencer que a carta do turn é inofensiva e que seu oponente está jogando dessa forma agressiva com uma queda, mas no final você não pode fugir do fato que você está em uma situação desconfortável onde apenas pagar a aposta lhe colocará em uma situação perdedora no longo prazo.

Se você decidir pagar no turn, o que você fará no river? Seu oponente irá quase sempre apostar seja por blefe ou por ter uma boa mão, então fechar seus olhos e pagar a aposta no turn na esperança de um river bom não é uma boa estratégia.

O teorema do Baluga ainda é efetivo hoje em dia?

Sim. Eu diria que o teorema do Baluga é um dos pequenos teoremas que você deveria realmente incorporar em seu jogo de Texas Hold´Em.
Vista geral sobre o teorema
Em minha opinião, o teorema do Baluga é um dos três melhores teoremas (juntamente com o do Zeebo e do Clarkmeister) que apareceram nos fóruns nos últimos anos.

Eu estou certo de que você já esteve na mesma situação muitas vezes antes nas mesas e teve problemas para escolher a melhor opção. Pelo menos agora esse teorema pode eliminar suas preocupações com as suas desistências com muito menos preocupação se você está fazendo a jogada correta ou não

Deixe que o maníaco se enforque sozinho


Todos nós jogamos pôquer contra esses rapazes que são implacavelmente agressivos que irão fazer jogadas com quaisquer duas cartas.

O fato que importa é que você terá que parar esses adversários cedo ou tarde. A chave é escolher o momento certo para isso. Não há nada mais doloroso que ser o jogador que irá pagá-lo quando ele realmente tiver um monstro.

Mas é uma aposta que você tem que ter enfrentar para ser o jogador que irá ganhar todas as fichas do maníaco quando ele fizer um blefe all-in
No Aussie Millions de 2008, eu tinha um desses jogadores agressivos na minha mesa no dia 1. Ele era um jogador online de 18 anos, eu acho que ele era da Noruega. Não demorou muito tempo para que eu percebesse que ele estava jogando de maneira muito loose: envolvido em muitas mãos, pagando algumas apostas grandes e fazendo alguns grandes re-aumentos. Ele estava sentado duas posições a minha esquerda, então eu tinha que ficar atento ao entrar em potes e devia estar preparado para agüentar alguns de seus re-aumentos eventuais.
Essa oportunidade veio quando os blinds estavam 150/300. Eu tinha aproximadamente o stack médio, 19,500 e o Norueguês era o grande stack da mesa com 44,000. Eu estava duas antes do botão e ele era exatamente o botão. O jogador no UTG aumentou para 800 o próximo jogador pagou, eu olhei e vi Kc-Jc e também paguei, o cut-off também pagou e a ação chegou no garoto agressivo no botão. Eu tinha percebido que quase o tempo todo havia 5 ou 6 pessoas que pagavam as apostas, ele aplicava o squeeze. Alguma coisa em mente me dizia que ele não tinha nada a maior parte do tempo e estava fazendo essa jogada apenas para ganhar algum dinheiro perdido.
Obviamente ele fez isso novamente, aumentando mais 4,000 num total de 4,800. Todos desistiram até mim, e eu tinha que considerar o quanto pagar essa aposta iria ferir o meu stack. Eu não tinha tantas fichas e iria comprometer aproximadamente um quarto do meu stack. Mas algo me dizia que esse garoto não tinha NADA. Então eu paguei a aposta.
Nós estávamos heads-up e o flop veio Q-J-8 de naipes diferentes. Eu pedi mesa e eu coloquei na minha mente que eu pagaria uma aposta no flop não importasse o tamanho. Mas ele pediu mesa depois de mim e o turn trouxe outro valete colocando duas cartas de espadas no board. Eu pedi mesa novamente e ele apostou 4,000. Eu pensei por um tempo, como se parecesse difícil pagar a aposta com uma mão marginal, mas eventualmente eu paguei. Eu não pensei que ele tivesse nada em mãos, então aumentar não faria sentido nenhum.
Então um rei veio no river, me dando um full house. Novamente, eu pedi mesa e ele me colocou all-in pelas minhas últimas 10,000 fichas e eu paguei na hora. Ele nem mesmo queria mostrar a sua mão, mas eventualmente ele o fez e mostrou um 10-7 de naipes diferentes.

Eu estava orgulhoso da maneira como joguei a minha mão de duas formas. Primeiramente, minha leitura que ele estava querendo fazer uma jogada com absolutamente nada para ganhar as fichas e eu confiei nessa leitura e paguei uma aposta muito difícil antes do flop.


Então, quando eu transformei minha grande mão em monstro no river, eu continuei confiando na minha leitura e lhe dei corda o suficiente para que ele se enforcasse. Se eu tivesse apostado em qualquer uma das outras rodadas, eu poderia tê-lo tirado da mão. Mas esses jogadores agressivos freqüentemente pensam que podem lhe ameaçar com apostas all-in, então quando eu fiz meu full house, eu o deixei usar sua agressão em minha vantagem e dobrei minhas fichas através dele.


Por Greg Mueller

tradução - Club do poker

AK e não acertou no flop. E agora?

Em tempos de tilt essa mão - AK - leva muitos (inclusive eu) a fazer bobaem e a eleger a mão do tudo ou nada do torneio...
Segue um texto interessante para pensarmos um pouco antes de "enfiar o pe na jaca".

É verdade que só vamos conseguir um par no flop, quando temos AK, uma em cada 3 vezes. Então como vamos jogar 'corretamente' essa mão no caso de não acertar no flop?
Vamos analisar diferentes situações em que o seu AK não vai melhorar.

Situação 1
Você esta no botão. Três jogadores fizeram limp na sua frente e você faz um raise para 4xBB com AKs. Um dos jogadores folda, mas os outros dois pagam.

A primeira coisa que temos que fazer neste momento, é pensar nas possíveis mãos que os nossos pagadores estarão jogando. Isto dependerá, obviamente das mãos que esses jogadores têm jogado até agora, mas vamos assumir que o jogador 1 é um jogador sólido e que o jogador 2 é um pouco mais loose.

Assim podemos supor que o jogador 1 pode ter um par baixo até médio, talvez pocket 5's ou 6's, ou mesmo AQ ou AJ. O jogador 2 tem uma range de mãos muito mais aberta. Ax suited, KQ suited e off suit, TJ suited, outros suited connectors ou pocket pairs baixos.

Bom, blz ai vemos o seguinte flop : Js 9h 7h.

Ambos os jogadores pedem mesa e você faz uma standard c-bet de 2/3 do pote. Os dois pagam. E agora?

Calma, boas e mas noticias...

O jogador 1 não tomou a iniciativa no flop, portanto é pouco provável que tenha AJ. Talvez um par de 8's, que lhe dá um gut shot para além do seu par. Um bom jogador poderia assumir que você falhou o flop, nesta situação, e que a mão dele ainda é a melhor.
É também possível que ele tenha AhXh e que queira ver o turn na possibilidade de conseguir o seu flush.
Como mencionado anteriormente, o jogador 2 pode estar jogando com um range de mãos muito maior e será um jogador ao qual terá de prestar mais atenção. É muito provável que este jogador continue a fazer o call com mãos como, QJ, KJ, Q9, K9, T9 e com qualquer combinação de copas, que lhe dão um flush draw.

Turn : Qd

A nossa tentativa de levar esse pote termina aqui. Se os caras fizerem check, você também vai dar check, já que apostar não vai ajudar muito nesta situação. Esta carta nos da uma pequena ajuda, já que fica com um gut shot straight draw e os seus adversários estão a oferecer-lhe uma free card. Aceite essa free card, pois pode muito bem um deles ja ter feito o straight no turn e esta montando uma armadilha para nós com um check raise. Se isso acontecer pode dizer adeus ao river.

Situação 2
Você abre o pote em middle position com um raise de 3xBB, com AKo. Tal como na situação anterior, recebe dois calls, um do botão e outro do bb. Mais uma vez você vai tentar definir o perfil dos seus adversários e tentar presumir com que mãos eles podem estar jogando.
O jogador no botão tem jogado tight até ao momento, mas costuma tentar explorar a sua posição. Ele sabe que você também tem jogado tight, como tal é pouco provável que ele esteja a segurar Ax, que neste caso teria uma grande probabilidade de ver o seu As dominado. Podemos pensar mais na possibilidade de suited connectors ou então um par entre 55 e 99, com esse historico seria mais produtivo. podemos tambem coloca-lo em duas live cards.

O big blind, por outro lado, é um principiante. Ele fez o call simplesmente porque já tinha colocado dinheiro no pote. Ele nunca ouviu falar de 'posição' e pode estar a jogar quaisquer duas cartas, uma vez que você já o viu a ganhar jogadas com mãos tipo K2.

Flop: 6s, 8h, Qd

O big blind da check e é a sua vez de falar. Este flop não lhe parece tão mau. Apenas uma figura e nenhum flush draw. Você decide novamente apostar 2/3 do pote, aposta suficiente para afastar do pote aqueles que tambem erraram o flop.

O botão da raise e a big blind fez fold. Quais as mão que ele pode ter?
Uma boa hipotese é que ele assumiu que você falhou o flop e quer saber 'onde está' com a sua mão. Ele pode ter 99, 57 para um open-end straight draw, ou pode até mesmo ter um set e você estar já drawing dead. Nesta situação você só tem uma opção que é o fold.

Situação 3
Você tem outra vez AKs (já reparou na sorte que tem?!). Desta vez está sentado no big blind. Um bom jogador em middle position fez raise de 3xBB e todos foldam até você. Aqui dar all não será uma boa opção uma vez que irá jogar sem posição o resto da mão. Estas são algumas das situações em que deve fazer o re-raise. Com o re-raise vai conseguir uma de duas coisas:
1. O seu adversário pode foldar a mão
2. Vai conseguir obter mais informação sobre a mão dele

Se o jogador foldar, provavelmente estaria a segurar AJ ou AT e não vai querer jogar contra um AQ ou AK.

Se ele fizer re-raise outra vez, você provavelmente estará perante um AA, KK ou QQ, e terá de ter muito cuidado se optar pelo call.

Se o jogador apenas fizer call, é provável que ele esteja a segurar um pocket pair.
...
O seu adversário deu apenasa o call.
flop : Qs , Jd, 5h

Você falhou no flop, mas não totalmente. Se fizer check, o seu adversário vai apostar e você não terá outra opção senão foldar. O meu conselho é que seja você a tomar a iniciativa e que aposte.

Se o seu adversário estiver a segurar um par de 10's, simplesmente não poderá fazer o call. Se ele fizer o call, você ainda tem outs que lhe podem dar a vitoria: A, K, ou um 10.

Se o seu oponente fizer o call e o turn não o ajudar pode sempre tentar apostar outra vez e afasta-lo do pote.

Se ele estiver a segurar uma Q ainda assim ele poderá se preocupar, pois estamos jogando como tendo AA ou KK.

Conclusão
A forma como devemos jogar AK vai depender de diversos fatores. Simplesmente puxar all-in com esta mão (coisa de tilt), é um movimente reservado aos principiantes ou então em casos que está short stack.

Tenha sempre atenção à sua posição e use as suas apostas para tentar recolher informação sobre as possíveis mãos dos seus adversários.
Certifique-se que nunca mostra fraqueza, pois muitas das vezes terá um adversário que tentará afastá-lo do pote com uma mão pior.

Com as apostas corretas e definindo o perfil do seu adversário você terá muito mais informação para tomar as decisões corretas.

Também não se envolva demasiado com esta mão no caso de não acertar no flop, afinal tudo o que tem até ao momento é um simples AK.

Abs.

Calculando o Leque de Mãos Adversárias em STG

Ao jogarmos um STG de forma básica, não entrando em muita confusão, chegaremos a fase final do Sit, onde praticamente as jogadas se resumem em push ou fold - claramente empurrando tudo ou saindo fora ...e normalmente com 4,5 ou 6 jogadores restantes.

Muitos escritos e artigos ja disseram como você deve empurrar, chegando em check até você ou como jogar na disputa de BB x SB ...etc ...

Eu gostaria de abordar aqui uma outra visão, a capacidade de dar call no push dos adversários.

Nesse momento a capacidade de saber calcular bem o leque de mãos possíveis do adversário será fundamental.
Ou seja, a amplitude de possíveis mãos com que o adversário vai dar all in.
Procedimento Básico
A princípio, o que devemos fazer para tentar calcular é tentar se colocar na situação do adversário, quantas fichas ele tem, quantas pessoas ainda tem no STG, posição, etc..
E depois fazer a seguinte pergunta:
Qual seria o meu leque de mãos viáveis se eu fosse este adversário.
Com que mãos faria um call? Com que mãos faria um push(all in)? Qual seria o meu leque de mãos ideal para esta situação?
É claro que a maioria dos adversários não joga exatamente como você. Uns jogam mais tight, outros demasiadamente loose. Mas através das observações que fizemos durante o STG (aquele periodo em que vc não entrou em confusão) devemos ser capazes de fazer uma estimativa do perfil de jogo do adversario e classifica-lo como loose ou Tight.
Para isso é de grande importância vermos bem o que os adversários tinham em caso de uma mão chegar até ao showdown.
Classificado o nosso amigo em Tight ou Loose podemos estimar o leque de mãos com base em tabelas de mãos, mas você tem que aperfeicoar suas classificações, escalando esse Tight e loose, em níveis de 1 a 8
Exemplo 8= extremamente tight , 7 muito tight, 6 levemente tight, 5 normal.
Exemplo 4= tendencia loose , 3 loose, 2 muito loose, 1 extremamente loose.
Feito essa classificação, devemos estimar a gama de mãos que determinado estilo pooderá dando um all in.
Abaixo uma tabela % de mãos recebidas frequentemente.
Pegue essa tabela e aplique em suas anotações para os estilos de jogos:
Por exemplo:
- Extremamente tight - ele dará push com 2,6% das mãos, portanto vai ser muito duro voce pagar esse all in, em contra partida será otimo para você roubar os Blinds dele.

Por outro lado, Extremamente loose - estará dando push com 50% das mãos, ajustando seu jogo com suas observações, você poderá dar calls nesse jogador com 18,6% das suas mãos, uma tremenda diferença, quando os blinds estão altos e você não recebe muitas mãos e você será o próximo BB...
Eu dei exemplo extremos para dar uma noção do uso, minha ideia não é deixar receita de bolo e sim estimular seu estudo e até quem sabe montar sua tabela de calls...

Faça uso desses % juntos as anotações de Loose/Tigth, chegando assim a sua fórmula de calls.
Leques de mãos recebidas frequentes
2.6% QQ+, AK
4.2% JJ+, AQ+
8.7% 99+, AT+ KQ+
18.6% 66+, A6+, KT+, QJ+
32.7% 44+, A2+, K6+, Q9+, JT+
40.9% 22+, A2+, K2+, Q8+, J9+
48.1% 22+, A2+, K2+, Q5+, J7+, T9+

Calculamos bem o leque?
Pode acontecer de colocarmos um jogador em um leque de mãos, por exemplo: qualquer ás, qualquer rei, qualquer par, etc.
Fazemos então um call do seu push porque pensamos ter uma mão melhor do que a média das dele.
No entanto ele abre um brilhoso AA. Muitos ficarão frustrados pois podem acreditar que calculou mal o leque de mãos possíveis do adversário.
Mas o nome diz tudo, nós calculamos um range/conjunto de mãos possíveis com as quais um dado adversário faz esta ou aquela jogada. Em casos específicos, a mão que ele tem pode muito bem estar no topo do conjunto, tal como pode por vezes ser a mais fraca de todas no conjunto.

Só podemos ter a certeza de ter feito um cálculo errado se ele mostrar uma mão que não tínhamos incluído no leque de mãos daquele adversário. No exemplo de cima: se calculamos o leque de um dado adversário como sendo qualquer ás, qualquer rei e qualquer par para um call, e ele apresenta um 73o, é óbvio que erramos no cálculo.
Pratique e depois me conte.
abs
Antunes










Big Blind vs. Small Blind

Galera,

desculpe a falta de postagem, mas eu estou trocando de empresa no plano "A" e ficou um pouco dificil parar postar.



Vou trazer um tema que ja me tirou de uns 3 torneios ...



Big Blind vs. Small Blind



O Big Blind (BB) é a posição menos rentável para jogar em cash games, no long run. Embora se tenha vantagem pré-flop por ser o último a jogar, é forçado a pagar uma blind e estará fora de posição no resto da mão. Como muitos de voces devem saber, a posição é um dos factores mais importantes no poker. Sem compreender a importância da posição, e como tirar vantagem da mesma, você nunca será um jogador de poker completo.( eu por exemplo ...heheheh)


Só existe uma situação em que você se encontra em posição na big blind, se toda a mesa foldar e jogar apenas contra a small blind. Esta é uma situação em que poucos jogadores sabem como tirar vantagem.



Quando se discute o jogar contra a SB, existem duas situações distintas. A primeira que vamos discutir é a situação em que a SB faz limp e depois discutiremos como reagir a um raise da SB.



Limp da Small Blind
Entrar em limp num pote é sempre sinal de fraqueza, a menos que tenhamos uma boa read do adversário. Então, até ver o nosso adversário fazer limp com um monstro, assumiremos que ele tem uma mão fraca.

Portanto podemos dizer que o jogador na SB, sobre o qual temos posição, está jogando uma mão marginal do tipo k7 ou 89o . Em situações destas nem interessa que tipo de mão temos, a nossa força baseia-se na fraqueza do adversário, e nem precisamos de ter um range para fazer raise, meter ficha em quaisquer duas cartas.

No geral a melhor opção será fazer um raise para 5 BB's, se a sua stack for muito grande poderá considerar fazer uma raise de 6-8 BB's. Existe uma razão para fazer este raise relativamente grande. Se estamos a pôr o nosso adversário numa mão fraca, temos que lhe meter pressão. Se ele foldar pré-flop, perfeito, pois estaremos a raisar com quaisquer duas na maior parte das vezes. Se ele der call, o pote já está grande devido ao raise pré-flop e isso reduz as hipóteses de ele nos tentar bluffar ou ir atrás de draws, o que joga a nosso favor.
A estratégia pós-flop é muito simples. Sempre que ele checkar o flop disparamos uma cbet, se ele decidir apostar primeiro, teremos de olhar para a nossa mão e ver a textura da board, falaremos disto mais tarde.

Raise do Small Blind

Sempre que a SB decidir raisar em vez de fazer limp teremos de considerar outros factores. Veremos agora em pormenor esses factores:
Stats da SB
Se sabemos que o jogador na SB nunca faz raise pré-flop e é no geral um jogador tight, é preciso analisar bem a situação. Devemos olhar para a nossa mão e ver se é rentável jogar, talvez para set value, ou se a sua stack for maior, suited connectors. Contudo, se sabemos que o jogador costumar raisar muito pré-flop, devemos ter isso em consideração. Sabemos que muitas vezes ele faz raise com mãos marginais e que vai falhar o flop grande parte das vezes, o que fará com que folde ou que faça cbet. Nesta situação não devemos ter medo de fazer call ao seu raise, desde que o façamos com uma mão decente. Dar um range de mãos para o call é complicado nesta situação, mas 9T ou q7s são mãos jogáveis. Depois do call pré-flop atingimos o próximo factor.

Textura da Board
É claro que não podemos disparar uma cbet em todos os flops sem olhar para as cartas na mesa. A melhor textura que uma board pode ter numa situação destas é a chamada "dry texture" ou seja, um flop que não permite muitos ou mesmo nenhuns draws, por exemplo k 7 2. Este board ajuda-nos visto que queremos que o nosso adversário folde à nossa aposta no flop. Se ele não nos dá call apenas quando tem boa mão, mas também quando tem draws, ganharemos menos dinheiro nestas situações e seremos pagos mais vezes.

Se estivermos numa situação em que temos 7 8 e o nosso adversário sai apostando num flop não temos outro remédio senão foldar. Olhe bem para o board e pense nas consequências de fazer um movimento com a sua mão. Se quiser bluffar numa board com muitos draws, terá seguramente de continuar a bluffar até ao river para fazer com que o adversário folde a sua mão/draws. Isto vai acabar por lhe custar muito mais dinheiro do que se você apostasse no flop e o seu adversário foldasse de imediato.

Variância
Estar muitas vezes envolvido em guerras de blinds resultará em grandes swings, não só nestas situações como no seu jogo no geral. É necessário ter em mente que este tipo de jogadas também vai afectar a nossa imagem na mesa. Existirão sempre situações em que o seu adversário vai tentar fazer com que você pense que ele é fraco e que o pode bluffar, quando na realidade tem nas mãos o famoso "nuts". Estas jogadas farão com que os adversários o respeitem menos e passem a dar mais vezes call aos seus raises, o que resultará num aumento da variância.
Contudo estas situações não devem afectar o seu jogo. No long run este tipo de jogadas será bem mais lucrativo do que o típico jogo de premium hands. Se uma má imagem na mesa pode ter aspectos negativos, terá também outros positivos, por exemplo: as suas value bets serão mais vezes pagas do que numa mesa onde toda gente acredite em si.


Capacidade de Leitura dos Adversários
Este pode ser um fator menos importante, ainda assim merece ser mencionado. A chamada "linha dos seus adversários", em especial em low stakes, dir-lhe-á bastante sobre a força de um jogador. Quase que não existem jogadores em micro- low stakes que usem a mesma linha a bluffar como a usam quando têm uma boa mão. O tamanho das apostas também lhe dirá bastante sobre a força das suas mãos, um movimento check/raise do tamanho do pote no flop pode ser sinal de monstro ou de uma última tentativa desesperada de levar o pote com nada nas mãos.

No geral os jogadores deste nível não fazem estes movimentos com ar tantas vezes como o fazem com monstros.
Daí que se você conseguir ter uma leitura sobre determinado jogador e souber que linha e que tamanho de apostas representam fraqueza ou força, esta luta de blinds tornar-se-á muito mais fácil de jogar. Preste muita atenção a isto, em especial ao tamanho das apostas, é muitas vezes ignorado mas é uma das maneiras mais fáceis de obter informação dos adversários.


Imagem
Deve ter sempre em mente a sua imagem na mesa. Se acabou de ser pego bluffando um pote, os outros jogadores vão registar isso e farão call às suas apostas mais vezes. Deve minimizar os bluffs até a sua imagem se recompor. Por outro lado, uma imagem tight vai permitir que roube mais potes, daí ser muito importante que saiba sempre o que os outros jogadores pensam de si e ajustar-se a isso.
Em suma, podemos dizer que embora estas situações sejam muitas vezes evitadas pelos jogadores, esta é uma boa forma de ganhar umas fichas. Tal como tudo no poker, a prática é a base para que possa melhorar, se conseguir aguentar as swings inerentes a este tipo de jogo de certeza que no futuro vai ver que a recompensa é bastante interessante. Visto que muitos jogadores evitam estas situações, verá que será mais respeitado do que pensaria adoptando este estilo agressivo.


Por ultimo, não exagere na defesa dos BB ou SB... fara bem ao seu stack.

Usando Tells Online

A leitura dos adversários através da identificação e interpretação das tells não se destina apenas às partidas live. Não é possível ver os oponentes quando se está jogando online, mas ainda assim eles estão dando informações que não aparecerão no relatório das mãos. A maioria dos jogadores ignora essa informação extra – o que é um erro, pois as tells online permitem que você faça leituras precisas que irão aumentar seu percentual de vitórias.

Toda vez que seu adversário falar, levará um determinado tempo para que isso aconteça. “Tells de tempo” são, de longe, as mais usadas no universo online. A primeira a se reconhecer é a “aposta instantânea” (insta-bet), ou seja, quando a ação chega a um jogador e ele aposta de imediato. Elas geralmente são grandes, do tamanho do pote (especialmente em sites com botões que colocam, de forma automática, tais apostas).

Para apostar tão rapidamente, o jogador já deveria estar decidido a fazer isso antes mesmo que a ação chegasse a ele. Esse fato, por sua vez, geralmente indica uma mão muito forte ou uma excelente chance de acertar o jogo. Agora, se o apostador instantâneo for o tipo de jogador que sempre faz “continuation bets”, o tempo gasto não é tão relevante. Porém, se cinco jogadores viram o flop e o terceiro faz uma insta-bet, quase sempre ele terá uma mão boa.

Essa tell é ainda mais confiável quando um jogador dá um raise do tamanho do pote, logo depois que alguém fez uma aposta. Essa situação é clara, pois o jogador que aumentou não teve tempo para considerar a ação, interpretar a aposta, ou levar em conta o tamanho dos stacks. Ele apenas apertou o botão de apostar o tamanho do pote por achar que sua mão está boa. É grande a chance de ele ter um overpair ou, algumas vezes, uma combinação de quedas de straight e flush, com as quais ele sabe que vencerá praticamente todo mundo.

Se você detectar essa tell, desista da mão – a menos que você esteja muito forte. Entretanto, lembre-se de que alguns jogadores costumam ser apenas muito rápidos. Tenha certeza de que quem fez a aposta imediata não é um desses, porque as “tells de tempo” só fornecem informação quando o executor da ação fugir a essa regra.

Perceba também quando um jogador que se deparar com uma aposta não demorar para pagá-la. Freqüentemente você verá esses “calls rápidos” vindos de jogadores que haviam pedido mesa naquela rodada. Eles quase sempre têm mãos boas, mas não as melhores. Por quê? Eles pediram mesa, viram uma aposta e nem mesmo pararam para considerar suas opções. Tanto desistir quanto aumentar estava fora de cogitação: eles apenas queriam chamar qualquer aposta. Dessa forma, preste atenção em jogadores que podem mostrar mãos como um middle pair, um top pair com um kicker fraco, ou uma chance de flush (se forem passivos).

Mesmo os jogadores com tendência a fazer slowplay com grandes mãos, como overpairs e trincas, geralmente vão refletir por alguns segundos antes de agir. Essas mãos são inconstantes, logo, quem as possui precisa de tempo para pensar. Em todo caso, com o segundo melhor par, a maioria dos novatos simplesmente paga sem pensar muito.

Combata calls rápidos fazendo pressão no turn. Aposte para valorizar seus top pairs e blefe com uma ampla gama de mãos. Isso pode lhe custar alguns trocados, mas é possível forçar jogadores que pagam rapidamente a cair fora, simplesmente porque eles estão fracos demais para agüentar muita ação.

As informações extras vão além de “tells de tempo”. Há também “tells de buy-in”. Jogadores de cash games que colocam qualquer valor diferente do máximo ou do mínimo da mesa dificilmente serão adversários fortes. Grande parte dos bons jogadores entra nas mesas com o máximo permitido, mas há alguns especialistas em jogar short stacked que começam com o mínimo. Um stack mediano geralmente indica, pelo menos, que se trata de um jogador inexperiente e é provável que ele não esteja entre os mais fortes da mesa. Portanto, faça um note sobre o sujeito e tente jogar alguns potes contra ele.

Se um jogador está sentado em quatro ou mais mesas, é possível que ele seja um vencedor. A maioria dos jogadores que disputam várias partidas ao mesmo são experientes. Eles estão investindo muito dinheiro no jogo (e não estão quebrados), portanto, é provável que estejam se dando bem. Então, se existir um adversário em comum em várias de suas mesas, tenha certeza de que ele é constante e trate-o da maneira como você trataria qualquer jogador sólido.

Você pode não ser capaz de ver seu adversário cara a cara, mas eles ainda são pessoas reais cujas decisões se baseiam em experiências e psicologias reais, fatores que você pode detectar e explorar. Se você aprender a interpretar esse tipo de informação, irá mapear seus oponentes mais rapidamente e de forma mais exata, e dará grandes folds, blefes e calls fundamentados em razões que você não poderia deduzir somente a partir dos padrões de aposta. O poker é uma batalha de informações, e tells online vão lhe ajudar a ganhar. ♠


Texto publicado na cardplayer n. 3

Mesa Redonda: Opções com A-K Pré-flop

Por Bryan Devonshire

Um dia desses, nosso herói Chris “homanga” Homan, encontrou-se em uma posição aparentemente padrão com A-K. Isso ocorreu no começo de um torneio semanal de $250.000 garantidos do PokerStars, numa quarta-feira à noite.
Esse torneio possui uma estrutura deep stack, com níveis de blinds mais longos e um buy-in de $300 + $20. Com os blinds em 150-300 e antes de 25, o jogador UTG+1 — “Booster_JJ”, com 12.818 em fichas — abriu raise de 750.
A mesa rodou em fold até o button, Eric “Sheets” Haber, que reaumentou para 2.400.
O small blind, com 7.787, desistiu, e nosso herói está no big blind com 8.249 e A♣ K♥.

Com frequência, vejo jogadores se perguntando o que fazer com A-K pré-flop em uma variedade de situações e, geralmente, a resposta é: colocar dinheiro no pote com o máximo de equidade de fold possível. Equidade de fold, ou “fold equity”, é o valor em fichas que temos quando os oponentes desistem diante de nosso aumento. É em geral facilmente quantificável, pois, em X por cento das vezes, eles desistem e nós ganhamos; nesse caso, 2.400 + 750 + 450 + 225, ou 3.825.

Portanto, nós estimamos a percentagem das vezes em que eles vão desistir para calcular nossa equidade de fold, e então analisamos nossa mão versus a gama de call deles. Para determinar a fold equity, primeiro devemos estipular a gama do vilão no momento, depois determinar a gama de call dele. Nesse caso, com o que Sheets estaria triplicando a aposta e com o que ele pagaria nosso empurrão?

Finalmente, devemos avaliar a gama de call de Booster_JJ, pois ele ainda está na mão, e eventualmente podemos determinar se empurrar é lucrativo ou não. Em quase todas as situações, empurrar com A-K offsuit em situações assim é lucrativo. Primeiro, nós em geral temos muita equidade de fold. Segundo, devido principalmente à delimitação de cartas, A-K nunca está muito atrás como gama de call, e em geral está à frente em situações online (onde as pessoas pagam com A-Q e pior). Como padrão, empurrar é correto.

De fato, quando essa mão foi postada pela primeira vez em um fórum, quase todas as respostas eram uma piada do tipo “É A-K! Podemos empurrar; vá em frente”. Contudo, como toda situação no poker é diferente, vamos analisar com mais cuidado essa aqui. Nós não sabemos nada sobre Booster_JJ. Se formos rápidos, podemos procurar o nome dele em www.officialpokerrankings. com. Nesse site, podemos descobrir se um jogador está ganhando ou perdendo, qual é o buy-in médio dele e quantos torneios jogou. Podemos ver seus resultados recentes, o que pode nos ajudar a determinar algo sobre o raciocínio dele. Por exemplo, um jogador que tenha 68% de ROI (retorno do investimento) ao longo de 1.400 torneios com buy-in médio de $168 vai jogar muito diferente de alguém que tenha um ROI de -42% ao longo de 135 torneios com buy-in médio de $57. A gama de raise de um jogador regular e sólido de high-stakes que está no UTG+1 vai ser diferente da de um jogador perdedor. É preferível enfrentar um oponente fraco, pois ele está mais propenso a cometer erros. Booster_JJ era um regular vencedor, com ROI de 67% ao longo de 694 torneios com buy-in médio de $199. Como ele era um vencedor regular, e tendo em vista o tamanho dos estoques, podemos presumir a gama de raise de Sheets (supondo que Sheets conheça Booster, como deveria):
1. Não vai ser muito loose. Sheets é o button e quer utilizar sua vantagem de posição. Ele preferiria jogar um pote em posição a reaumentar com uma mão marginal. Ao voltar reraise pré-flop, ele dá ao vilão uma ótima oportunidade de empurrar, devido ao tamanho dos estoques, tirando completamente a vantagem de posição de Sheets. Portanto, ele não está reaumentando com 6-6, K-Q ou algo do tipo.
2. Ao dar reraise de 2.400, Sheets está se comprometendo com um empurrão de qualquer um dos blinds. Como ele vai ter mais de 2-1 em suas fichas, podemos supor com segurança que Sheets, um jogador online vencedor, vai pagar. Existe sempre uma leve chance de ele dar fold, pois às vezes os jogadores fingem força com o tamanho da aposta, mas em geral esse não é o caso. Essas são boas notícias e más notícias para nós. A má notícia é que não podemos esperar ganhar esse pote pré-flop. A boa notícia é que, se a gama de reraise dele inclui A-Q, nós nos tornamos leves favoritos e ele paga, então vamos estar à frente e com dinheiro morto, o que sempre é bom.

Por último, podemos usar o histórico e o conhecimento sobre um jogador para nos ajudar a determinar gamas. Eu sei que Sheets respeita aumentos de posição inicial e compreende posição, o que deve ser levado em conta em minha avaliação de sua gama. Essas situações pré-flop são essencialmente matemáticas. A maioria dos jogadores possui gamas similares em situações similares, e muitas coisas, como empurrar com A-K pré-flop, tornam-se automáticas. Contudo, o “poker” varia de jogador para jogador: a probabilidade condicional introduzida pelo elemento humano vai afetar as gamas. Portanto, diante de tudo isso, que gama podemos razoavelmente atribuir a Sheets, já que esse é o fator central dessa decisão? AA até QQ e AK, com certeza, embora ele possa simplesmente pagar com algumas dessas mãos para tentar induzir um squeeze de um dos blinds. E AQ? JJ? TT? Nada? Qualquer outra mão? Como ele tem posição, vai pagar com a maioria de suas mãos jogáveis. Como ele está enfrentando um estoque que pode facilmente empurrar, e devido ao tamanho dos estoques dos blinds (que podem facilmente dar um squeeze), ele provavelmente pagaria com TT e JJ também. Diante disso, nós achamos que ele reaumentaria com AQ? Provavelmente não. Portanto, a gama mais provável de Sheets é AA até QQ e AK — apenas. Eis a tarifa dessa gama: 38,8%. Isso não é nem um pouco bom, e não é uma situação em que queremos colocar nosso dinheiro. Se somarmos AQ à gama, ficamos como favoritos com 51,3%, e incluir JJ nos abaixa para 50,1%. Nós temos A-K. Eu quero entrar no pote também. Sei que teria feito isso no calor do momento. Mas quando paro para analisar essa mão, é uma situação claramente ruim. Temos muito pouca ou nenhuma equidade de fold. Nós estamos diante de uma gama contra a qual temos 51,3% na melhor das hipóteses. E há um terceiro jogador na mão que esquecemos totalmente, que deu raise do UTG+1, e vai pagar nosso empurrão certa percentagem das vezes. Esse número é maior do que a maioria das pessoas pensa: quão ampla é a gama de raise dele, e que percentagem dessa gama é QQ+ e AK? Obviamente, às vezes ele vai largar QQ ou AK. Eu não o imagino descartando KK aqui.

Análises dos Profissionais
Essa é uma situação em que eu vejo muitos profissionais live simplesmente desistindo, pois eles temem os riscos. Embora Sheets seja provavelmente um jogador relativamente tight, tenho certeza de que ele sabe que pode reaumentar com uma gama ampla em situações assim e levar o pote sem showdown. Por causa disso, AK é basicamente o nuts. Além disso, nós essencialmente temos o estoque perfeito para empurrar nessa circunstência, pois ele não pode pagar a não ser que tenha uma mão premium. Infelizmente, empurrar aqui nos elimina de vez em quando, mas, em média, é uma jogada de grande +EV [valor esperado positivo].
— Jonathan Little

Eu empurro aqui, por duas razões. Não estou preocupado com o que aumentou em posição inicial, pela simples razão de as gamas de abertura serem muito amplas hoje em dia em torneios online com buy-ins mais altos, e o aumento em posição inicial de 2,5 vezes o big blind é o “novo” aumento do button, ao que parece. Estou mais preocupado com o aumento do button, mas ele provavelmente está apenas tomando a iniciativa da mão, já que ele está em posição. Apenas pagar do button com AA e KK também tem sido muito comum ultimamente; portanto, gosto de um empurrão do big blind ainda mais nessa situação, já que a gama do button continua bastante ampla. Então, em suma, acho isso automático para nosso herói.
— Jon Friedberg

Em situações assim, raramente sou light. Precisaria haver muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo para me fazer reaumentar pouco com esses estoques. Se eu soubesse alguma coisa sobre o big blind, poderia apenas pagar com KK e AA, mas, para ser honesto, acho que isso seria muito transparente. Eu penso sobre com o que eu apenas pagaria aqui exceto AA e KK, e isso é raro. Não consigo pensar em nada. Seja o ideal ou não, eu lhe juro que essa é a realidade. Caso Booster tivesse 16.000 ou talvez mais, as coisas seriam diferentes, é claro. Então, qual é minha gama para reraise se eu não for light? Eu reaumento e pago com AQ e 88 aqui? Em caso afirmativo, é um empurrão trivial. Se eu viesse a largar AQ, 88 e às vezes 99, provavelmente daria fold.
— Eric “Sheets” Haber

Eu acho que todos compartilhamos o raciocínio segundo o qual receber uma mão como A-K no big blind com cerca de 20 big blinds é essencialmente uma situação perfeita. É tão perfeita que o pensamento de desistir provavelmente jamais cruza nossas mentes, mas, em retrospecto, analisando o que parecia uma situação de sonho, eu agora percebo que era um pesadelo. À medida que a ação se desenvolve, o aumento inicial não incomodou tanto: ele significou uma probabilidade mais alta de eu ser pago quando empurrasse do big blind com AK. Tudo muda, contudo, quando Sheets decide reaumentar do button – um empurrão antes trivial se torna um fold trivial. A razão é que o primeiro a ter dado raise, Booster_JJ, tem apenas 40 big blinds, o que torna a gama de aumentos de Sheets muito mais tight, pois é bastante improvável que ele reaumentasse para depois desistir nessa situação. Sendo esse o caso, podemos eliminar muitas mãos da gama de Sheets com as quais ele simplesmente pagaria o aumento de Booster. Mãos como 99, TT, JJ e AQ não sofreriam reraise aqui, pois Sheets teria de pagar. Então, de repente, a gama de Sheets fica polarizada em AK e um par de damas ou melhor, contra os quais AK quase não tem equidade suficiente para empurrar com a expectativa de que Sheets desista. Embora no calor do momento pareça impossível largar AK aqui, o fold na verdade se torna fácil, sabendo que um jogador tão sólido quanto Sheets raramente vai sair da linha.
span style="color:#ff0000;">— Chris Homan

No fim das contas nosso herói empurrou, e Sheets tinha AA.

♠ Bryan “Devo” Devonshire tem jogado profissionalmente desde o outono de 2003. Guia expert em natureza selvagem e com uma especialização em rafting, ele começou em um jogo de $2-$5 em Cripple Creek, Colorado, enquanto servia nas Buscas e Resgate. Ele entrou na cena dos torneios em 2006, ficando em segundo lugar em seu primeiro evento da World Series of Poker: até hoje, ganhou mais de $800.000 ao vivo e mais de $380.000 online. Ele pode ser contatado em maverickusc@gmail.

Artigo retirado da Revista Cardplayer n.24

Início de Torneios

O texto abaixo foi publicado na revista Cardplayer n. 16

Um texto escrito pela "Maridu" - do blog Need an ace - mas que conta a estrategia de dois grandes jogadores de torneios on line: Apestyles e Stevie444 e como lidar com o inicio do torneio on line.


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Como alguns de vocês que acompanham meu blog "Need An Ace" (needanace.blogspot.com) sabem, estou passando uma temporada em Austin, Texas, com o Jonathan "Apestyles" Van Fleet. De quebra, temos um convidado passando um tempo conosco, o Stephen "Stevie444" Chidwick.


Uma breve introdução dos dois (para quem não os conhece):


Apestyles

É dos maiores ganhadores de MTTs online (e aos poucos se tornando também ao vivo), já fez sete mesas finais de Sunday Majors, levando 2o lugar no Sunday Million e 2o lugar no 750K grtd em outro site. Já ganhou o 100+R dez vezes, com mais incontáveis mesas finais no próprio 100+R, e em muitos, muitos outros torneios que nem daria pra contar aqui. Literalmente, um monstro de MTTs. E ele acaba de lançar um livro (escrito em parceria com Eric "Rizen" Lynch e Jon "PearlJammer" Turner), chamado "Winning Poker Tournaments One Hand at a Time – Volume I", a venda no Amazon.com, e que em breve será lançado no Brasil, traduzido em português e disponível na loja de FPPs do PokerStars.


Em tempo: não sou muito adepta de livros, pois acredito que neles se aprende o básico do básico, e o resto se aprende jogando muitas mãos, conversando com amigos sobre o jogo e lendo fóruns de poker. Mas esse título é algo que certamente vai acrescentar muito ao jogo de todos, não importa o nível em que o jogador esteja.


Stevie444

O Stevie, bom, o inglês de 19 anos simplesmente destrói nos steps no PokerStars: esse ano, ganhou nada mais nada menos que 101 vagas para o Main Event da WSOP, 25 para o EPT de Monte Carlo, 14 para o EPT San Remo, 12 para o EPT Varsóvia, 8 vagas para os LAPTs, e a lista não acaba. Pra vocês terem uma noção da máquina que esse menino é, ele não só é Super Nova Elite no PokerStars, como tem mais de 7.5 milhões de FPPs (OMG!), que está juntando para dar de entrada na sua primeira casa, que pretende comprar ano que vem!


Ufa, basta de introdução, né?

Até porque chega a humilhar! (risos) Bem, esses dias, jogando e tentado aprender com eles, resolvi fazer perguntas sobre o início de torneios, porque acho que falta um pouco de literatura sobre isso. Eu mesma me vejo muitas vezes bastante entediada nessa fase, em razão da ação lenta e os blinds baixos, me colocando, portanto, em situações complicadas e desnecessárias. Acho que tem muita coisa dita e escrita sobre as fases intermediárias e finais de torneios, mas o início determina boa parte de seu desempenho no resto da disputa.


Cada um tem seu estilo, mas sempre dá pra melhorar dentro dessa característica, não acham?


O Apestyles e o Stevie444 têm estilos muito diferentes entre si nessa altura do torneio, mas ambos são ganhadores. Dessa forma, talvez possam ajudar outros estilos nessa etapa tão importante, em que o foco é a formação de um bom stack e a manutenção do mesmo.


ME: Oi, Ape e Stevie, obrigada por trocarem uma idéia com a gente. Vamos direto ao assunto: como cada um de vocês joga em início de torneios, por que, e onde vocês acham que estão os maiores erros que as pessoas cometem nessa fase?

Ape: Em início de torneio eu jogo mais loose que o Stevie, com certeza. Mas, ao contrário dele, eu geralmente consigo stacks fortes logo de cara ou caio rápido: procuro criar potes grandes em posição porque eu gosto de jogar pós-flop. O Stevie é mais tight, e nenhum dos dois estilos é "certo" ou "errado", mas esse é o meu. Apesar de jogar loose em posição no início, eu fico muito tight em late position (open folding com AQ inclusive). Acho que existam esses dois tipos de abordagem para início de torneios, e cada um funciona para cada pessoa e estilo de jogo. Stevie: Se você começa um 100+9 com 3000 fichas, uma decisão de, digamos, 100 fichas é o equivalente a, no máximo, 3 dólares em equidade. Então eu realmente não me engraço muito em inícios e, pra ser bem sincero, nem presto muita atenção, porque a minha equidade em foldar é maior do que a de entrar em situações complicadas. E pelo fato de eu ser conhecido, acho que as pessoas jogam diferente contra mim, tornando mais fácil conseguir o stack todo de alguém no início – momento em que jogo tight – levando em conta que as pessoas não me dão tanto respeito por me acharem "LAG". Só que em início de torneios eu nunca sou assim, então eu também espero essas situações. APE: Acho que em início de torneio, as pessoas cometem os maiores erros ao dar muitos limps pré-flop e serem passivas demais: ficar tight nessa fase não quer dizer que você deve jogar passivamente. Isso é um grande erro que vejo as pessoas cometendo, sendo passivas, dando muitos calls, especialmente fora de posição. Elas não sabem jogar muito bem nos blinds e dá pra explorar bastante esse erro sem ter que se colocar em situações complicadas por ter posição. Aliás, posição é tudo, e quem ainda não sabe disso deve aprender logo e nunca esquecer: o lema pra ganhar no poker é “posição acima de tudo”, depois o resto. O outro erro que vejo com freqüência é muita gente dar valor demais aos seus top pairs – eles parecem mais do que contentes em perder stacks de 50 big blinds com top pair e top kicker. Isso é um “leak” terrível em início de torneio.


Stevie: Verdade. Isso é também pra mim o maior erro que as pessoas cometem nessa altura: jogar mãos marginais dando call de forma passiva, fora de posição, porque acham "bonitinho" ver um J9s ou algo assim. Em início de torneio, as pessoas parecem não entender o valor de equidade vs. fichas: dar call passivamente do big blind com 67s até QJs é horrível, e está longe de ser o mesmo que executar esse call do button. Aliás, esse pagamento está ok por ser no início, por serem poucas fichas (apesar de achar o fold mais correto), mas o mais importante: por ter posição. Só que esse mesmo call do small ou do big blind é terrível, certamente um leak, porque a pessoa já está jogando uma mão marginal em enorme desvantagem por estar fora de posição e, na maioria dos casos, vai ter que dar check-fold sem poder desenvolver o jogo pós-flop. Sim, dar esses calls parece "aggro, lag" e tal, mas o fato é que é simplesmente ruim jogar dessa forma em início de torneio, fora de posição e com mãos marginais. Afinal, a mão não tem muito valor, as fichas no pote não têm quase nenhuma equidade quando acrescentadas ao seu stack e, se houver um jogador inteligente na sua mesa, ele vai reparar essa tendência no seu jogo e certamente lhe atacar sem perdão.


APE: A manutenção de stack em início de torneios não é uma questão complicada, pois os blinds estão baixos e ainda não existem antes. Assim, o que tento fazer é aumentar meu stack construindo potes grandes em posição. Por exemplo, quando dou raise em posição com suited connectors, blinds 15-30, nunca estou tentando "roubar os blinds". O que estou querendo é construir um pote e jogar pós-flop em posição, fazendo os oponentes tomarem decisões quando sinto que estão fracos e levar vantagem da sua falta de posição. Mas esse é meu estilo porque gosto de jogar pós-flop, e não fujo dessa situação quando tenho posição. Claro que toda circunstância é diferente, mas, ao mesmo tempo, dificilmente quebro em início de torneio quando tenho mais de 50 big blinds por causa de um draw. Obviamente, sempre existem exceções, e nada no poker é absoluto, mas situações nas quais percebo que tenho fold equity eu vou dar 4-bet – só que isso já é outro assunto, bem mais complicado. Mantenha o olho sempre em quantos big blinds você tem e nos tamanhos dos stacks da mesa (especialmente os que estão à sua esquerda): isso é o que deve determinar a hora de você realmente botar pressão e fazer seus oponentes tomarem decisões difíceis. E mais importante: mantenha seu stack sempre com fold equity – isso faz os outros não serem tão "sortudos" contra você, pode reparar. Em todo caso, acho que por ter uma imagem "LAG", muitos jogadores querem jogar contra mim e não respeitam as minhas apostas, o que é algo de que eu gosto e que sei aproveitar, pois são essas as situações em que consigo extrair mais valor das minhas mãos em posição. Stevie: Apesar de jogar de forma muito diferente do Ape em início de torneios, eu concordo com tudo que ele está falando. Só que, nessa altura, eu raramente tento construir um pote grande em posição com suited connectors. Sou bem mais tight, pois geralmente estou em várias mesas de steps ao mesmo tempo em que jogo MTTs, que prefiro não ter que pensar sobre uma situação complicada em que eu mesmo estou tentando me meter. Mas o Ape adora uma situação complicada (risos). É, sou bem mais tight do que ele no início.

Você me ensina, Ape?


Ape: Você me ensina, Stevie?


ME: Vocês dois me ensinam? (risos)


Valeu, Ape e Stevie! Talvez mês que vem possamos falar sobre jogar com um stack entre 12 e 18 big blinds? Pra mim, esse é o stack mais difícil de jogar, e muitos devem achar o mesmo.


Que tal?Ape e Stevie: Claro! Então, pessoal, por enquanto é isso. Espero que esse papo tenha ajudado vocês (sei que me ajudou muito!).

Verdades Básicas Sobre AK

Você provavelmente acha que sabe jogar com A-K, e provavelmente sabe, mas nunca á demais revisar algumas verdades básicas.

Aqui estão oito delas:
1. AK é um draw. Não se trata de um par alto.
Não se trata sequer de um par pequeno. Não é uma mão favorita numa disputa contra um par. Isso significa que, muitas vezes, especialmente em multi-potes, você precisa melhorar para ganhar. Qual a probabilidade disso? Presumindo que sua mão esteja na disputa, você conseguirá no mínimo um par no flop cerca de 30% das vezes. Isso não é muito, mas pare e leve em consideração que, se acertar um par, será o top pair com top kicker ou… o top pair com top kicker. Isso significa que você precisa conseguir isso para ganhar com A-K? Não necessariamente. Afinal, há várias outras maneiras de ganhar no hold’em além de mostrar a melhor mão. Você pode fazer a melhor aposta, por exemplo. Isso nos leva a…

2. AK é um grande porrete.
E você deve agir de acordo. Não tenha medo de fazer grandes aumentos pré-flop com A-K. Se alguém pagar, você será levemente não-favorito (contra um par médio) ou um grande favorito (contra um ás pior ou algo como K-Q do mesmo naipe). A única vez em que você fica em apuros é quando se depara com um par de ases ou reis. Contra todas as outras mãos, você está em boa ou ótima situação, além de poder ganhar sem uma batalha. Portanto, se estiver contra alguém que você acha que está empurrando com um par médio, empurre também com A-K. É melhor que ele não pague, mas, se pagar, sua mão está no páreo.

3. AK adora pagar alguém que aumenta em posição.
Como A-K é um draw e não uma mão pronta, você precisa tomar cuidado ao fazer grandes reaumentos com ela. O tipo de mão que pode pagar grandes reraises é algo do tipo A-A e K-K e, é claro, A-K se dá mal contra essas mãos. Mas vários tipos de mãos podem aumentar e continuar a apostar no flop, incluindo bons ases, flush draws e pares na mão até a parte de baixo do baralho. Portanto, se você apenas pagar em posição com A-K, se dará bem com uma grande variedade de flops. Obviamente, você conduzirá o jogo quando o flop lhe der o top pair com top kicker, mas também será capaz de blefar quando o flop só trouxer lixo.

4. AK é um perigo numa guerra de raises.
Lembre que A-K não é um par alto e pense bem antes de gastar muitas fichas pagando aumentos e reaumentos. Suponha que você abra aumentando, alguém volte reraise depois de você e alguém empurre outro reraise depois dele. O que você acha que eles têm? A não ser que eles sejam completos maníacos, você está diante de pares altos. E mesmo que não esteja diante de A-A ou K-K, você pode facilmente estar diante de Q-Q e J-J, que fazem de você não-favorito em 2-1. No melhor dos casos, você está diante, digamos, de A-Q e 10-10. Seria bom enfrentar A-Q, mas não quando 10-10 também está presente, pois seria preciso virar para cima dos dez, e não pode contar com um de seus outs. Essa é uma consideração em geral ignorada por AK: quando uma guerra de raises tem inicia, você provavelmente não está tão bem na competição como imagina.

5. AK é uma ótima mão para um estoque pequeno.
Se você chegou ao ponto em que sua vida no torneio corre risco (menos de 10 big blinds, digamos), você adoraria receber A-K, e deve empurrar seu estoque para o meio. Por quê? Porque você verá as cinco cartas e, vendo todas as cartas, pode acertar um par em até 60% das vezes. Além disso, se você estiver com tão poucas fichas em um torneio, mãos muito piores irão pagar — talvez até Q-J ou J-10. E se ninguém pagar? Melhor ainda. AK adora ganhar sem uma batalha.

6. AK é uma boa mão para um estoque grande.
Se você estiver em uma posição dominante quanto ao número de fichas em um torneio, A-K é uma excelente mão para ir à guerra. Por quê? Porque, quando jogadores pagarem all-in, é menos provável que eles tenham A-A ou K-K e, portanto, mais provável que você seja um modesto não-favorito ou um grande favorito. Digamos que você faça um grande aumento com A-K. Um jogador em perigo paga com 8-8 (um pagamento razoável para um pequeno estoque). Sim, ele é favorito, mas não muito. Se derrotá-lo, você o elimina. Mas se ele lhe derrotar, não lhe fere tanto. A-K e grandes estoques se dão bem em coin-flips.

7. AK é uma mão péssima para um estoque médio.
Se você estiver em um torneio com um estoque médio e pegar A-K, pode querer empurrar. Essa é uma tendência razoável, pois A-K é uma mão de qualidade. Mas, se alguém pagar, em especial um jogador agressivo ou perigoso, e você não se beneficiar com o flop, você pode se encontrar em uma situação de obrigação. Será preciso fazer uma continuation-bet que essencialmente será um blefe (já que você, nesse momento, não tem uma mão de verdade); ou pedir mesa e pagar, na esperança que o oponente esteja blefando; ou pedir mesa e desistir, abrindo mão das fichas que colocou no pote. Nenhuma dessas alternativas é atraente. Estoques médios são, de certo modo, vulneráveis. Eles não são grandes o suficiente para assustar as pessoas do pote, nem pequenos o suficiente para empurrar tudo. Então, se for jogar com A-K e um estoque médio, aumente para isolar, mas aja com cautela se não bater nada no flop.

8. Não vale a pena falir com AK.
Não em torneios e especialmente não no início, quando o ganho potencial em fichas é pequeno, mas o risco potencial — de ir à falência — é grande.

Economize suas grandes jogadas com A-K para mais tarde no torneio, quando os antes e blinds forçarem mãos menores a entrar no pote.

Como diz Scotty Nguyen: “Eu sou eliminado com reis, ases: A-K não significa nada. Eu não vou permitir que A-K me leve à falência”.
E se isso funciona para Scotty, funciona para nós.

John Vorhaus é autor da série de livros Killer Poker. Ele reside no cyberespaço em vorza.com, e na blogsfera em somnifer.typepad.com.

Materia publicada na revista CARDPLAYER N.14